Para elevar as Sereias da Vila ao que há de mais moderno no futebol feminino mundial (seguindo o padrão de potências como Barcelona, Lyon e Arsenal), o organograma precisa de uma estrutura de governança dedicada.

Atualmente, o maior erro dos clubes é apenas replicar o organograma do masculino. O modelo moderno exige focar em frentes cruciais para as mulheres: autonomia financeira, transição de base integrada, captação científica de atletas (Scouting) e saúde biológica feminina especializada.

Aqui está a proposta de um organograma de ponta para o Santos FC:





Detalhamento das Áreas: O Diferencial Moderno

1. Alta Gestão com Foco Comercial Próprio

Diretora Executiva (CEO) com Autonomia: Centraliza todas as decisões técnicas e políticas. Tem linha direta com a presidência do Santos.

Gerência de Negócios e Branding Dedicada: O futebol feminino moderno precisa de marcas próprias e patrocinadores exclusivos. Esta célula foca em vender os direitos e ativações das Sereias da Vila sem depender das sobras de contratos do futebol masculino.

2. Diretoria Técnica e Metodologia Unificada

Coordenação de Metodologia Integrada: Garante que o Sub-15, Sub-17, Sub-20 e o Profissional joguem sob o mesmo modelo tático e DNA ofensivo histórico do Santos.

Célula de Transição: Profissional responsável exclusivamente por lapidar as "Sereinhas" da base e inseri-las no time principal, evitando a perda de talentos para rivais.

3. Departamento de Ciência da Saúde Aplicada à Mulher

Núcleo de Ginecologia e Saúde Endócrina: O maior avanço do esporte de elite hoje. Adaptação de treinos, cargas e prevenção de lesões (como LCA, muito comum em mulheres) com base no ciclo menstrual e na fisiologia hormonal de cada atleta.

Psicologia Esportiva Dedicada: Profissionais fixos no CT para trabalhar a saúde mental e a pressão do futebol profissional diretamente com as atletas e comissões.

4. Departamento de Captação Científica (Analytics & Scouting)

Scout de Dados Feminino: Uso de softwares de estatística (como Wyscout ou StatsBomb) focados na modalidade para mapear o mercado sul-americano e de base. Substitui o antigo modelo de contratação por "indicação de empresários" por escolhas assertivas guiadas por dados.


O principal entrave ao desenvolvimento do futebol feminino no Brasil não é a falta de interesse do público, mas o modelo atual de comercialização dos direitos de transmissão.

A modalidade cresce em audiência, engajamento e relevância comercial, mas essa evolução não se reflete na receita dos clubes. Hoje, os direitos de transmissão são negociados por valores muito baixos, incapazes de sustentar os investimentos necessários para o crescimento da competição.

Além disso, grande parte do valor econômico gerado pelas transmissões fica concentrada nas emissoras e plataformas que comercializam publicidade, patrocínios e cotas de exposição. Os clubes, que são os verdadeiros responsáveis pelo espetáculo, recebem apenas uma pequena parcela dessa riqueza.

Esse modelo desestimula investimentos, dificulta a profissionalização da modalidade e impede que os clubes ampliem suas estruturas, fortaleçam as categorias de base e ofereçam melhores condições para atletas e comissões técnicas.

Por isso, defendemos a criação da Liga do Futebol Feminino.

Com uma liga organizada e administrada pelos próprios clubes, será possível negociar coletivamente os direitos de transmissão, valorizar o produto, ampliar a concorrência entre emissoras e plataformas de streaming e construir um modelo de distribuição de receitas mais justo e transparente.

A Liga também permitirá que os clubes participem diretamente da estratégia comercial da competição, potencializando receitas de mídia, patrocínio e conteúdo digital, seguindo o modelo das principais ligas esportivas do mundo.

O Santos será um defensor dessa transformação. Acreditamos que o futebol feminino só alcançará seu verdadeiro potencial quando os clubes deixarem de ser meros participantes das negociações e passarem a ser protagonistas na gestão e exploração comercial da competição. Somente assim transformaremos audiência em receita, receita em investimento e investimento em uma modalidade cada vez mais forte, sustentável e competitiva.


Atualmente, a equipe treina no CT Meninos da Vila, um espaço que há anos sofre com a falta de investimentos e necessita de uma profunda modernização. A estrutura existente já não atende aos padrões exigidos pelo futebol de alto rendimento e compromete o desenvolvimento pleno da modalidade.

CT Meninos da Vila abandonado.

Investir na estrutura não é um gasto, mas uma condição indispensável para formar atletas, atrair talentos, reduzir lesões e elevar o nível de competitividade da equipe.

O Santos foi pioneiro no futebol feminino brasileiro. Para voltar a ser referência dentro de campo, precisamos oferecer às nossas atletas uma estrutura à altura da tradição das Sereias da Vila. A valorização do futebol feminino começa pelo ambiente de trabalho, e esse será um compromisso da nossa gestão.